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Publicado em: 15/05/2026

Crefito-3 destaca o Dia da Luta Antimanicomial e o papel da Terapia Ocupacional na saúde mental

Data reforça a importância do cuidado em liberdade, da garantia de direitos e o diferencial da Terapia Ocupacional na promoção da autonomia e da inclusão social

O dia 18 de maio marca, no Brasil, desde 1987, o Dia da Luta Antimanicomial.

O movimento antimanicomial já havia nascido no Brasil na década de 1970. Mas foi em 1987, durante a realização do II Encontro Nacional de Trabalhadores da Saúde Mental, ocorrido em Bauru (SP), que o movimento antimanicomial ganhou contornos de luta.

A luta antimanicomial no Brasil defende a construção de um modelo de atenção em saúde mental baseado no cuidado em liberdade e na garantia de direitos. O 18 de maio simboliza a luta pela superação de práticas historicamente associadas ao isolamento e à exclusão de pessoas em sofrimento psíquico.

Em 2026 as comemorações do Dia da Luta Antimanicomial celebram os 25 anos da Lei 10.216/2001, conhecida como a Lei da Reforma Psiquiátrica.

Mais do que o fechamento de instituições, a luta antimanicomial propõe a transformação de uma lógica de cuidado. De acordo com a terapeuta ocupacional especialista em Terapia Ocupacional Psiquiátrica e em Terapia Ocupacional em Psiquiatria Institucional, Dra. Maria Fernanda de Albuquerque Pereira Barcellos de Oliveira, o manicômio não se limita a um espaço físico. “Mais do que um hospital psiquiátrico, o manicômio representa uma lógica que desconsidera a pessoa como sujeito, com história, desejos e potencialidades”, afirma.

A especialista destaca que essa lógica pode se manifestar em diferentes contextos sociais, para além dos serviços de saúde. “Você pode ter um manicômio em outros espaços, quando não se reconhece o outro como sujeito e não se consideram suas capacidades, seus desejos e sua forma de estar no mundo”, explica.

Cuidado em liberdade e participação no processo terapêutico

Nesse contexto, o cuidado em liberdade se estabelece como princípio fundamental. A proposta não exclui o conhecimento técnico dos profissionais, mas pressupõe a participação ativa da pessoa no seu processo terapêutico, com espaço para diálogo, escuta e construção conjunta das estratégias de cuidado.

“Quem chega para ser cuidado tem o direito de dizer se concorda, de opinar e de construir junto o processo de cuidado”, afirma a terapeuta ocupacional. Segundo ela, o cuidado não pode ser imposto de forma unilateral, mas deve considerar as necessidades, os desejos e as possibilidades de cada pessoa.

Esse processo envolve, inclusive, a construção e a revisão contínua do projeto terapêutico, de modo a garantir que as ações propostas estejam, de fato, respondendo às demandas apresentadas. A participação da pessoa atendida é, portanto, elemento central para a efetividade do cuidado.

Território, contexto e singularidades

A construção do cuidado em saúde mental também envolve a compreensão ampliada de território. Segundo a profissional, esse conceito vai além do espaço físico. “Território não é apenas o lugar onde a pessoa está, mas envolve suas relações, seus valores, suas condições de vida e o contexto em que está inserida”, destaca.

Esse entendimento permite considerar aspectos como condições de moradia, vínculos familiares, acesso a serviços, cultura e formas de convivência social, elementos fundamentais para a construção de estratégias mais adequadas e efetivas.

Além disso, a especialista ressalta que não existe um único modelo de autonomia ou de inserção social. “É preciso considerar as diferentes realidades, trajetórias e contextos das pessoas. O que é autonomia para uma pessoa pode não ser para outra”, explica.

Superação da lógica do isolamento

Outro ponto destacado é a necessidade de superar a ideia de que o isolamento é uma resposta adequada no cuidado em saúde mental. Durante muito tempo, o hospital psiquiátrico foi considerado o espaço ideal para o tratamento, afastando as pessoas do convívio social.

“Hoje sabemos que o cuidado precisa acontecer no território, com a participação da família e da comunidade. O isolamento não pode ser a regra”, pontua a especialista. Segundo ela, em situações específicas, pode haver necessidade de cuidados mais intensivos, mas esses devem ser temporários e articulados com o retorno ao convívio social.

A lógica atual, alinhada à reforma psiquiátrica, reconhece que o cuidado deve promover a permanência das pessoas em seus contextos de vida, respeitando suas relações e favorecendo a construção de autonomia.

Atuação da Terapia Ocupacional em Saúde Mental

A Terapia Ocupacional desempenha papel central na atenção às pessoas em sofrimento psíquico, atuando diretamente no cotidiano dessas pessoas. A prática profissional envolve desde atividades da vida diária até ações que promovem a inserção social, como trabalho, educação, cultura e convivência comunitária.

“Uma atividade só faz sentido quando tem significado para a pessoa. O cuidado precisa considerar o desejo e a experiência de quem está sendo atendido”, ressalta a terapeuta ocupacional. Nesse sentido, o fazer terapêutico não se limita à execução de tarefas, mas está relacionado à construção de sentido e à participação na vida social.

A atuação também inclui o trabalho com diferentes atores do território, como familiares, educadores e comunidade, contribuindo para a construção de ambientes mais inclusivos e acolhedores.

Direitos, cidadania e inclusão social

A luta antimanicomial está diretamente relacionada à garantia de direitos. Para a especialista, não é possível falar em cuidado em saúde mental sem considerar o acesso à moradia, à educação, ao trabalho, à cultura e à convivência social.

“A lógica antimanicomial está ligada à garantia de direitos para todas as pessoas. Não se trata apenas de saúde mental, mas de cidadania”, afirma Dra. Maria Fernanda.